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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

[João.]


Uma vida em linha reta, com prazo, tarefas inúteis, hora e apatia, parece ser a especialidade do mundo. Tudo bem servido nos vagões que nos levam de um lado para outro, mas quase nunca ao destino que sonhamos quando crianças. Mas há os descarrilamentos e neles as pequenas alegrias. Porque algumas peças antigas se desgastam, para o nosso bem. Ali, no que comumente chamam de acidente, ou erro, existe vida. Felizes os que se contentam com as pequenas coisas. E não estou falando dos que sorriem para os anões, como na antiga piada. Bem, eu só queria dizer, antes de divagar, que, ao cuidar dos pés do meu filho, um centroavante de 7 anos, eu tive uma revelação. Quando escaldava, limpava e aplicava pomada naquelas pequenas maravilhas que marcam gols, eu pensei em como somos, pai e filho, parecidos, física e emocionalmente. Pensei, como os pais constumam pensar, em como esse rapazinho é a extensão do que sou, a minha continuação, para o bem ou para o mal. Sempre rimos das mesmas coisas e nossos interesses estão cada vez mais estreitos. Sem falar de uma certa timidez que corre no nosso sangue, que mais tarde, espero, ele vai usar como charme. Enquanto você caminhar pelo mundo, João Pedro, não importa o tempo, seus pés serão os meus também. Cada passo, cada drible, jogada ou gol (acidental ou não), terão um pouco de mim. Eu o amo porque o entendo como criança, sem nunca subestimar a sua capacidade e força. Meu veloz e audaz jogador, para sempre. Eu beijo os seus pés, "na lei da humildade, conforme Jesus Cristo." Essa é a minha linha reta.

terça-feira, 16 de março de 2010

[Ai de ti, Haiti.]

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A realidade supera a ficção, não acreditam? Muitos escritores tiram dos jornais a matéria-prima de seus textos adoráveis, mas menos surpreendentes do que a vida como ela é, Nelson. Ficcionar o que chamam de real não é exatamente para todos, bem claro. Mas Drummond, Clarice Lispector e João do Rio fizeram a sua parte, com sobra. Estou dizendo isso não por acaso. Desculpem o nariz de cera. Mas é que ouvi no rádio uma notícia que me acertou como um raio, e que junta uma ponta à outra. Realidade e ficção no mesmo time. Inspiração para um conto, uma peça? Talvez, mas não apenasmente, Odorico. Falava das vítimas do Haiti, coisa por demais triste, e do volume de doações feitas por brasileiros, difíceis de contabilizar. Como assim? Simplesmente porque muitos soldados deixam de se alimentar para guardar comida para as crianças daquele país - que sempre lhes pedem algo para comer nas ruas. Uma fruta, um doce, uma barra de cereal, qualquer coisa. O que nunca entraria nas estatísticas. Isso é bem nosso, não acham? Somos solidários por natureza. Herança da cultura africana? Não sei. Só posso dizer que me sinto feliz e orgulhoso de ser brasileiro nessas horas. Deve ser por isso que os pequenos acenam para eles, sempre sorrindo. Com aquela certeza de que, por algum momento, somos uma esperança e uma salvação. Se o Brasil é um país impossível de se governar não é por culpa de seu povo. Os haitianos devem intuir isso. Em algum lugar, nós, brasileiros, somos extraordinários. Morremos pela paz, pelos inocentes. E isso não é um filme, nem um livro. Drummond, João e Clarice não fariam melhor.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

[Fadas Modernas]


Imagem do Dia


Essa semana meu filho perdeu mais um dente. A fada para esse tipo de ocasião deu a ele um conjunto do Batman. Com o meu cartão de crédito, claro, em duas parcelas. Queria que ele se interessasse por outros personagens, desenhos e gibis - e faço a minha parte. Mas ele gosta mesmo é da Liga da Justiça e de violências extremas para um garoto de 5 anos. Além do mais, as fadas de hoje são diferentes: têm compromissos com o mercado! São tão estranhas que algumas até fazem xixi em pé. Eu tento fazer a minha parte (em pé também). Mas quem se interessa, hoje, por Tintim? Gato Félix? Só se fala em mangá. Acho que os japoneses dominaram o mundo. See You, Folks.