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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

[Moeda mágica.]

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Nunca mais contei nenhuma história aqui. Essa é bem curta e engraçada. Um simples jogo, mas com um desfecho inacreditável. Eu, minha irmã mais velha e meu filho resolvemos brincar ao mesmo tempo de cara e coroa. Mas o que sobraria para mim, além das duas opções? Nada. Mesmo assim resolvi apostar. Disse, com graça, que se ela parasse em pé, eu ganharia. E, pasmem, isso aconteceu. Estávamos no sofá da sala de estar e a moeda caiu, caprichosamente, entre uma almofada e outra, com os rajados da lateral para cima. Minha irmã e eu nunca rimos tanto. Já o pequeno João Pedro não entendeu muito bem a euforia. Foram alguns minutos assim, falando sobre a minha sorte, sobre as probabilidades do acontecimento. Não vou tirar gandes lições sobre isso, nem poderia. A vida tem outras equações, para além da sorte. Mas sem ela, a sorte, não se atravessa a rua. Não se chupa um Chicabom, como diriam os de antigamente. Eu estou com eles.
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domingo, 22 de novembro de 2009

domingo, 21 de dezembro de 2008

[Para o casamento da minha irmã]

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Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
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(Adélia Prado)
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