sábado, 10 de maio de 2008

[Los Ultimos Versos]


"Os Últimos Versos de
Lutto T. Nebroso"


Na noite da minha morte
Trouxeram-me tinteiro, pena
Folhas brancas, morfina
Rostos cheios de tristeza, silêncio
E soluços como assunto

Eu, que já não era o mesmo
Agora era outro, numa dupla realidade
Era o poeta maldito, suspenso no ar
E o corpo que se desfazia
A antecipar algumas raras velas

Pudesse escrever como jorra uma fonte
Amar pela última vez
Regressar à casa materna para apanhar os livros
Mas esses prazeres não foram nada
Diante do gozo do mal que pratiquei em vida

Temeroso e triste, como hão de supor, não estava
Não havia demônios nem abismos
Nem ainda as lápides insensíveis
A tragédia de existir e a dor da morte
Metamorfosearam-se no sutil espírito do vinho

O que é a tristeza afinal?
É saber-se morto entre os vivos?
É invejar a amargura dos nascidos?
A tristeza, eu digo, é um sentimento do mundo
E a morte e suas mãos brancas o sublime antídoto.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

[Mundo: repetição]

Um poeminha aí. A quem possa interessar.

Mundo: repetição

Em cada gesto humano
Gaia, Posseidon, Netuno, Urano

Homens rudes repetem filósofos e suas cantilenas
Mulheres comuns, sucessoras de Helena,
Entrelaçam destinos com fibra ótica, outros linhos

Sob o olhar vigilante de gigantes
Grandes redes, grandes teias,
Encobrem o horizonte
E um cansaço de mil vidas recai sobre um único homem

Tempestades da Ilha de Creta encontram fenômenos tropicais
São braços da morte com nome de mulher
Fúria, vingança, guerra
A provar que Deus escreve errado por linhas erradas
Com a tinta do sangue humano

Ninfas hipnotizam crianças programadas para o novo ópio
Publicitários são atraídos por intervalos comerciais
Cotas milionárias
Um banquete de luz é servido aos mortos da sala de jantar

De que se alimentam os vivos?

Mundo: nascimento de tragédias
Mundo: casamento entre céus e infernos
Mundo: repetição

segunda-feira, 28 de abril de 2008

[3 Poemas de Bertold Brecht]

Os dois últimos comunistas em ação? Ou indianos excêntricos?


Os que lutam

"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."

Nada é impossível de mudar

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."



De que serve a bondade
1
De que serve a bondade
Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados
Aqueles para os quais eles são bons?
De que serve a liberdade
Se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
2
Em vez de serem apenas bons, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
Ou melhor: que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que liberte a todos
E também o amor à liberdade
Torne supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
Um mau negócio.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

[Cidade de Deus, a trilha]

para download em:

Faixas:
01. Meu Nome é Zé - Antonio Pinto
02. Vida de Otário - Antonio Pinto
03. Funk da Virada - Antonio Pinto
04. Estória da Boca - Antonio Pinto
05. Na Rua, na Chuva, na Fazenda (casinha de Sapê) - Hyldon
06. A Transa - Antonio Pinto
07. Metamorfose Ambulante - Raul Seixas
08. Nem Vem que Não Tem - Wilson Simonal
09. Preciso Me Encontrar - Cartola
10. Alvorada - Cartola
11. Convite para Vida - Antonio Pinto
12. No Caminho do Bem - Tim Maia
13. Morte Zé Pequeno - Antonio Pinto
14. Batucada (remix) - Dj Yah!

domingo, 20 de abril de 2008

[Velvet!]


Velvet Underground
(White Light/White Heat)

para download em:


Após a vendas aquém do esperado do primeiro álbum, The Velvet Underground and Nico, o relacionamento da banda com o produtor do disco, o artista Andy Warhol, esmoreceu. Os velvets fizeram turnê no fim de 1967 e muitas das performances ao vivo apresentavam improvisações barulhentas, as quais se tornaram elementos-chave em White Light/White Heat, disponível aqui para cópia. A banda demitiu Andy Warhol e Nico e foi gravar seu segundo álbum com outro produtor, Tom Wilson. As gravações duraram apenas dois dias, com um estilo bastante diferente do ábum de estréia. O som distorcido e cheio de feedbacks presente em White Light/White Heat desde então se tornou uma influência para o que viria depois com o punk rock. Em 2003, a revista Rolling Stone, em sua lista dos "500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos", o colocou em 292º lugar.

Canções

Praticamente todas as canções do álbum são experimentais e estão à frente de sua época. The Gift, por exemplo, contém o recital de um conto e instrumentação de rock barulhenta em dois canais de estéreo diferentes. I Heard Her Call My Name é notável por seus solos de guitarra distorcidos e o uso proeminente de feedback. O álbum também é memorável pelas letras de Lou Reed, que freqüentemente enfocam temas como uso de drogas e absurdos sexuais, além da faixa-título, que glorifica o uso de anfetaminas. (Crianças, por favor, parem de ler isto agora mesmo!) Em outras palavras, That's rock and roll, babies!
A última música é Sister Ray, uma improvisação barulhenta de 17 minutos sobre... bem, talvez essa seja a mais ousada e assustadora música dos anos 60.

Capa

A capa de White Light/White Heat é a imagem de uma tatuagem de caveira. É difícil perceber o desenho, já que ele é preto e a cor de fundo é quase do mesmo tom.

Faixas

White Light/White Heat (Reed) - 2:47
The Gift (
Reed, Morrison, Cale, Tucker) - 8:18
Lady Godiva's Operation (
Reed) - 4:56
Here She Comes Now (
Reed, Morrison, Cale) - 2:04
I Heard Her Call My Name (
Reed) - 4:38
Sister Ray (
Reed, Morrison, Cale, Tucker) - 17:27

Banda

Lou Reed - vocal, guitarra, piano;
John Cale - vocal, viola elétrica, órgão, baixo;
Sterling Morrison - vocal, guitarra, baixo;
Maureen Tucker - percussão.

[A melhor versão da onda gigante]

Essa é a versão preferida de Guerrilha Cultural para a onda gigante desenhada por Katsushiko Hokusai. Pelo senso de humor... e pelo inusitado. Afinal, coelhinhos despencam da tsunami! Reparou? Great wave, man.

[Onda gigante (4)]

"Nossa idéia de isqueiro Zippo."

[Onda gigante (3)]

"Nossa idéia de parque aquático. Tragam as crianças."

[Onda gigante (2)]

"Peguei um tubo, rapá!"

[A onda gigante de Kanagawa]

Essa é a original, do artista japonês Katsushika Hokusai (1760-1849). Não é fantástica? Inspirou muitas versões, que você pôde conferir nas postagens acima. Pudesse eu faria uma tatuagem com esse motivo, que desde já é "o meu modelo de tatuagem". Mais do que isso: é um dos desenhos mais bonitos que já vi, apesar de se tratar de uma fúria da natureza, uma tsunami. As espumas da grande onde não lhe parecem os braços da morte?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

[Linda Lovelace]


Linda Lovelace

Um poema meu. O que não significa nada.
Mas não vou pedir desculpas.

As flores do caminho que ninguém vê
São flores para você
O salto mortal do trapezista
Irreal
Foi dado por você
O espaço físico do céu e sua vasta coleção de estrelas
Nebulosas, partículas raras, cometas
O espaço mítico do céu e sua vasta coleção de deuses
Urano, Gaia, Posseidon
Existem para você
O renque de árvores embriagadas pela chuva
Desenhado pelo seu filho
Os risos fartos no esplendor da infância
Sua e dele, agora inseparáveis
Todos os lugares sem cartão-postal
Silenciosos na sua imaginação
Existem para a sua contemplação e contentamento
As plantas novas e os milagres
A certeza de um dia que nasce após outro
Em todas as casas e jardins, apesar de tudo
Os sorrisos entre soluços
A alegria que se refaz diante da morte
Movem-se por você
Por este mundo sem Deus
Mas cheios de reinos possíveis.

[O vinil vive]


Radiohead, Cat Power e Amy Winehouse estão entre as estrelas da música de hoje com novos trabalhos lançados em vinil. Com a decadência dos CDs, os LPs estão de volta, dispostos a sobreviver na era digital ao lado do MP3.

Veja matéria completa em:


Os melhores lugares para comprar
discos em vinil:


São Paulo

BARATOS AFINS
Endereço: Av. São João, 439 - 2º andar - Loja 318. Centro. Telefone: (11) 3223-3629 Gênero: MPB e rock Acervo: 90 mil Raridades: Tim Maia Racional Vol. 1, Em Busca do Tempo Perdido (da banda Peso), Molhado de Suor (de Alceu Valença) e o primeiro disco de Led Zeppelin. Preço: de 5 a 300 reais
DISCOMANIA
Endereço: R. Augusta, 560. Consolação. Telefone: (11) 3257-2925Gênero: Variado Acervo: 600 mil Raridades: Luto por Você (Roberto Carlos), Jorge Ben - Live in Japan, Yesterday and Today (Beatles), Family Way (Paul McCartney) e primeiros discos do Jackson do Pandeiro.Preço: 1 a 3000 reais
LIVRARIA CULTURA
Endereço: Av. Paulista, 2073 - Conjunto Nacional Telefone: (11) 3170-4033 Gênero: Variado Acervo: 500 Raridades: Abbey Road - The Beatles, The Mix-Up - Beastie Boys e A Love Supreme - John Coltrane Preço: de 19,90 a 1.200 reais
NUVEM NOVE
Endereço: Rua Clodomiro Amazonas, 128. Itaim Telefone: (11) 3078-7051 Gênero: rock Acervo: 300 Raridades: Antology (Beatles), Estudando o Samba (Tom Zé), uma edição japonesa do primeiro LP dos Monkeys e vinis da banda alemã Frumpy Preço: 5 a 200 reais

Rio de Janeiro

HALLEY DISCOS
Endereço: Rua Senador Vergueiro, 218, loja 15 - Flamengo Telefone: (21) 2551-1697 Gênero: rock progressivo e anos 70 Acervo: 200 Raridades: Tangerine Dream, Latte Ml, Reinascense, Eloy (grupo alemão), Genesis, Focus, Preço: 20 a 30 reais.

Belo Horizonte

DIGITRAXX
Endereço: Avenida Augusto de Lima, 555. 1º Piso-Loja 30Telefone: (31) 3224-5280 Gênero: Rock dos anos 70 Raridades: Jimmi Hendrix, Wishbone Ash, Alvin Lee e James Gang Acervo: 600 Preço: 30 a 200

Porto Alegre
MUSEU DO SOM
Endereço: Rua da Conceição, 346. CentroTelefone: (51) 3225-9077 Gênero: Variado Acervo: 40 000 Raridades: Rolling Stones, Tim Maia Racional Vol. 1, ocompositor gaúcho Teixeirinha, conjunto gaúcho dos anos 60 Os Brasas Preço: 5 a 250 reais

Recife

VINIL ALTERNATIVO
Endereço: Rua Sete de Setembro, 105, Loja 5 - Boa Vista Telefone: (81) 3222-2385 Gênero: Variado Acervo: 3 500 Raridades: Smash Hits (Jimmi Hendrix), The Beatles, Lightinin Hopkins, Criaturas da Noite (O Terço) e Som Nosso de Cada DiaPreço: 1 a 3 000

Brasília

LIVRARIA CULTURA
Endereço: SGVC Sul, Lt 22 Lj. 4A, 2.º pavimento - (Shopping) Casa Park - Guará-DF. Telefone: (061) 3410-4033 Fax: (061) 3410-4099 - Destaque para a caixa do Sonic Youth a R$ 280,00 e o novo do Radiohead, In Rainbows, a R$ 80,00 aproximadamente.
MUSICAL CENTER
Endereço: CLN 215 Bl C s/n lj 37, Brasília, Tel.: 61 3274-0763 (O melhor acervo, com mais de 15.000 LPs - para venda e troca).
Quer ganhar os LPs A Love Supreme, do John Coltrane e Psychocandy, do Jesus and Mary Chain? Então diga, em poucas linhas, por que você merece esses objetos raros. Deixe o seu comentário aqui, com número de telefone completo e e-mail, até o dia 20/05/2008.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

[Stones!]




You can't always get what you want
para download em:


[Luiz Melodia - Pérola Negra]

Para download em:
http://www.badongo.com/file/3852201

Faixas:
1. Estácio, eu e você
2. Vale quanto pesa
3. Estácio, Holly, Estácio
4. Prá aquietar
5. Abundantemente morte
6. Pérola negra
7. Magrelinha
8. Farrapo humano
9. Objeto H
10. Forró de janeiro

Luiz Carlos dos Santos, Luiz Melodia, nasceu no morro do Estácio, Rio de Janeiro, no dia 7 de Janeiro de 1951. Único filho homem de Oswaldo e Eurídice, descobriu a música ao ver o pai tocando em casa: "fui pegando a viola dele, tirando uns acordes, observando. Ele não deixava pegar a viola de quatro cordas, que era uma relíquia, muito bonita, onde aprendi a tocar umas coisas". Apesar da precoce afinidade com a música, Luiz acabou contrariando seu pai, que sonhava vê-lo um "Doutor" formado: "ele não apoiava, não dava muita força. Mas não adiantou coisíssima alguma, até porque as coisas foram acontecendo. E depois ele veio a curtir pra caramba. Quando ele faleceu, perdi um grande fã", revela. Depois de abandonar o ginásio, Melodia passou a adolescência compondo e tocando sucessos da Jovem Guarda e Bossa Nova, com o grupo "Instantâneos", formado com amigos. Esta experiência, juntamente com a atmosfera em que vivia - do tradicional samba dos morros cariocas -, resultaram em uma mescla de influências que renderam a Luiz Melodia um estilo único. Logo, acabou por chamar a atenção de um assíduo frequentador do Morro do Estácio, o poeta Wally Salomão, e de Torquato Neto. E através de Wally, Gal Costa acabou conhecendo um de seus compositores prediletos, resultando na gravação de "Pérola Negra", no disco "Gal a Todo Vapor", de 1972. Pouco depois era a vez de "Estácio Holly Estácio", ganhar sua interpretação na voz de Maria Bethânia.Foi nesta época que o artista assumiu então o nome Luiz Melodia - apropriando o sobrenome artístico de seu pai Oswaldo -, e lançou no ano seguinte (1973) seu primeiro e antológico disco "Pérola Negra". Sua postura porém, mantinha a mesma irreverência e inquietude da do garoto que tocava iê-iê-iê nos berços do samba carioca, o que lhe rendeu um estilo e identidade musical inconfundíveis, assim como críticas que o consideravam um artista "maldito", ao lado de nomes como Fagner e João Bosco, por exemplo. "Não éramos pessoas que obedeciam. Burlávamos, pode-se dizer assim, todas as ordens da casa, da gravadora; rompíamos com situações que não nos convinham. Sempre acreditei naquilo que fiz e faço", afirma Luiz. Sua carreira acabou por consolidar-se no disco seguinte, "Maravilhas Contemporâneas" (1976), popularizado pela canção "Mico de Circo" (1978), que seria gravado no seu retorno ao Rio.

[Imagem do Dia]

segunda-feira, 14 de abril de 2008

[Participação de leitora (2)]


Leitora de Guerrilha Cultural envia foto do que mais gosta de fazer nos feriados.

[Tim Maia Racional Vol. 3]

Tim Maia só quer chocolate, guaraná, suco de caju e goiabada para sobremesa.
Se você achou esta capa medonha é porque ainda não recebeu a iluminação de...
Tim Maia Racional (vol. 3)
para download em:


Read the book! The only book! The book of God!

sábado, 12 de abril de 2008

[Saudade da professora de piano]

Uma pequena homenagem de Guerrilha Cultural às dedicadas e quase extintas professoras de música.
Ah, o que é a arte de tocar direitinho...