quinta-feira, 1 de abril de 2010
[Ouvidos de Orvalho.]
-Na eternidade, ninguém se julga eterno.
Aqui, nesta estada, penso que vou durar
além dos meus anos, que terei
outra chance de reaver o que não fiz.
Se perdoar é esquecer, me espera o pior:
serei esquecido quando redimido.
-
Não me perdoes, Deus. Não me esqueças.
O esquecimento jamais devolve seus reféns.
-
A claridade não se repete. A vida estala uma única vez.
-
O fogo é uma noz que não se quebra com as mãos.
A voz vem do fogo, que somente cresce se arremessado.
Não há como recuar depois de arder alto.
Fui lançado cedo demais às cinzas.
-
Somos reacionários no trajeto de volta.
Quando estava indo ao teu encontro,
arrisquei atalhos e travessas desconhecidas.
Acreditei que poderia sair pela entrada.
Ao retornar, não improviso.
Minha conversão é pelo medo,
orando de joelhos diante do revólver,
sem volver aos lados,
na dúvida se é de brinquedo ou de verdade.
O vento faz curva. Não mexo nos bolsos,
na pasta e na consciência,
nenhum gesto brusco de guitarra,
a ciência de uma mira
e o gatilho rodando próximo
do tambor dos dentes.
-
Derramado em Deus, junto meu desperdício.
-
Vou te extraviando no ato de nomear.
Melhor seria recuar no silêncio.
-
Cantamos em coro como animais da escureza.
Os cílios não germinaram.
Falta plantio em nossas bocas, vegetação nas unhas,
estampas e ervas no peito.
Suplicamos graves e agudos, espasmos e espanto,
compondo esquina com a noite.
-
Cantar não é desabafo,
mas puxar os sinos
além do nosso peso,
acordando a cúpula de pombas.
-
Somos fumaça e cera,
limo e telha,
névoa e leme.
O inverno nos inventou.
Não importa se te escuto
ou se explodes meus ouvidos de orvalho:
morre aquilo que não posso conversar?
Ficarei isolado e reduzido,
uma fotografia esvaziada de datas.
Os familiares tentarão decifrar quem fui
e o que prosperou do legado.
Haverei de ser um estranho no retrato
de olhos vivos em papel velho.
-
Escrevo para ser reescrito.
Ando no armazém da neblina, tenso,
sob ameaça do sol.
Masco folhas, provando o ar, a terra lavada.
Depois de morto, tudo pode ser lido.
-
Vejo degraus até no vôo.
Tua violência é a suavidade.
Não há queda mais funda
do que não ser o escolhido,
amargar o fim da fila,
ser o que fica para depois,
o que enumera os amigos
pelos obituários de jornal,
o que enterra e se retrai no desterro,
esfacela a rosa ao toque
na palidez das pétalas e velas,
vistoriando cada ruga
e infiltração de heras entre as veias,
nunca adulto para compreender.
-
Não há nada de natural na morte natural.
Divorciar-se do corpo, tremer ao segurar
as pernas, acomodar-se no finito
de uma cama e deitar com o tumulto
que vem de um túmulo vazio.
quarta-feira, 31 de março de 2010
[Musique du Jour.]
-"This Mess We're In"
-
(PJ Harvey e Thom Yorke)
-
Para baixar ou ouvir gratuitamente em:
-
http://www.mp3raid.com/search/download-mp3/99423/pj_harvey.html
-
terça-feira, 30 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
[Led Zeppelin raro.]
-The Lost Sessions EP Volume 10
-
"All Roads Lead to Headley Grange II"
-
(EP, 1974)
-
Para download gratuito em:
-
http://rapidshare.com/files/368742575/Led_Zeppelin.part1.rar
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(Parte 1)
-
http://rapidshare.com/files/368742722/Led_Zeppelin.part2.rar
-
(Parte 2)
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sexta-feira, 26 de março de 2010
[A verdade que poucos sabem.]
quinta-feira, 25 de março de 2010
[Guerrilha Pictures.]
-"Bastardos Inglórios"
-
(2009)
-
Quentin Tarantino
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Para download gratuito em:
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http://cinemacultura.blogspot.com/2010/01/bastardos-inglorios-2009.html
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[Guerrilha Pictures.]
-Elefante
-
(2003)
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Para download gratuito em:
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http://cinemacultura.blogspot.com/2009/04/elefante-2003.html
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Baixe o arquivo para juntar as partes em:
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http://www.baixaki.com.br/download/7-zip.htm
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