sábado, 31 de outubro de 2009

[O mundo está cheio.]

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Imagem do Dia na Metrópole.
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[A vida não seria um erro...]

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... se todos os dias fossem sábado de manhã.
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[A vida não seria um erro...]

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... se houvesse mais beleza nos toilettes.
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[Porque hoje é domingo.]

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[E se...]

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Você pudesse acordar tarde em todo dia chuvoso?
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[Nossa ideia de...]

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Uniforme hospitalar.
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[Nossa ideia de...]

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Halloween.
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[Qual é a música?]

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

[Imagem do Dia.]

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

[Nossa ideia de harmonia.]

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[Encontre o artista.]

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Patrick Leger
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Acesse:
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[Crie a Legenda. Se for Capaz.]

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domingo, 25 de outubro de 2009

[Abbey Road]

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

[Nossa ideia de banda.]

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[The Raconteurs]

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"Broken by Soldier"
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(Música do Dia)
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

[Música da Noite.]

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"Just my Imagination"
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(The Temptations)
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[Música do Dia.]

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"Out of Time"
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(Rolling Stones)
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

[A minha teimosia é uma arma...]

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... pra te conquistar.
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(Música do Dia)
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Jorge Ben
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Para baixar ou ouvir gratuitamente em:
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[Você é contra a nudez?]

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Nós não.
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domingo, 18 de outubro de 2009

[Imagem do Dia.]

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[Em algum lugar do mundo...]

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... deve ser um lindo dia.
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[Nossa ideia de...]

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Azul turquesa.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

[10 polaroids]

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[O dia em que o Velho John voou.]

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Achei muito curiosa a história que o meu tio mais velho contou outro dia, na casa da minha mãe. Algo acontecido com o meu pai, na infância – época em que o juízo, como se dizia, ainda não está formado. Pois foi mesmo por falta de juízo que meu pai resolveu, simplesmente, voar. O plano? Subir numa árvore fina, mas alta, e pedir que os irmãos a balançassem até que ele pudesse tomar impulso. “Eu vou conseguir, não fiquem com medo”, garantiu. E lá se foi o pequeno João, num voo espetacular, de segundos, em direção... ao chão. Desmaiou, claro. E foi levado arrastado para a casa de uma tia bondosa, que - pensaram os irmãos - não haveria de lhe dar uma surra (antigamente os peraltas pagavam muito caro pelas suas ousadias). Mas mesmo desacordado, ele apanhou. E desse mesmo jeito foi deixado numa cama, agora em casa, praticamente desenganado. Mas de repente, de madrugada, ouve-se um barulho de panelas na cozinha. Era ele, o menino-voador, morto de fome, atacando beijus e o que tivesse pela frente. Da cama, a mãe disse alguma coisa como “esse se salvou” e todos foram dormir tranquilamente. Por que conto isso agora? Para que vocês saibam o que me trouxe até aqui. Nunca fomos os “Albuquerque de Medeiros”, compreendem? Nem nos tornamos engenheiros, médicos, advogados ou arquitetos, porque mal sabemos calcular coisas. Mas sempre tivemos um pouco de loucura circulando pelas veias (espero que meu filho saiba logo disso). Simples, e modestos, só nos contentamos em voar de vez em quando. Mesmo que as condições não nos sejam favoráveis. Nem que seja para levar uns tapas da realidade.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

[Mulher Maravilha]

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[Com seus olhinhos infantis.]

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[Nossa ideia de...]

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Câmera fotográfica.
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[Música do Dia.]

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"Arnold Layne"
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(Pink Floyd)
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[Imagem do Dia.]

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Para as crianças.
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sábado, 10 de outubro de 2009

[Mensagem da Noite.]

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[Tá na moda?]

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[Crie a legenda.]

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[Crie a Legenda.]

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[Crie a Legenda.]

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[Livro eletrônico.]

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"Paraíso Perdido"
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(John Milton)
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Para baixar ou ler gratuitamente em:
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[Nossa ideia de...]

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Banda de rock.
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[Música da Noite.]

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"Becuz"
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(Sonic Youth)
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Para ouvir ou baixar gratuitamente em:
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http://www.mp3raid.com/search/download-mp3/1844134/sonic_youth_becuz.html
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

[Imagens do Dia.]

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

[Redemption song]

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[Música do Dia]

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Life is a Gas
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(Ramones)
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Para ouvir ou baixar gratuitamente em:
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

[Música da Noite.]

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Life is a Gas
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(T. Rex)
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Para ouvir ou baixar gratuitamente em:
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http://www.mp3raid.com/search/download-mp3/2351325/t_rex_life_is_a_gas.html
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[T. Rex]

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Electric Warrior
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(1971)
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Para download gratuito em:
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Saiba mais em:
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[Nossa ideia de...]

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Par romântico no cinema.
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[Novas aterrissagens]

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domingo, 4 de outubro de 2009

[Vídeo do Dia.]

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Nunca subestime o poder de uma grande história.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

[Pin Up do Dia.]

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"Me liga de vez em quando..."
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[Sonic Youth]

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"Sugar Kane"
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Para ouvir ou baixar gratuitamente em:
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

[Nelson Rodrigues]

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O Pediatra
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(Nélson Rodrigues)
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Saiu do telefone e anunciou para todo o escritório:
— Topou! Topou!
Foi envolvido, cercado por três ou quatro companheiros. O Meireles cutuca:
— Batata?
Menezes abre o colarinho: — "Batatíssima!". Outro insiste:
— Vale? Justifica?
Fez um escândalo:
— Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada e te digo mais: séria pra chuchu!
Alguém insinuou: — "Séria e trai o marido?". Então, o Menezes improvisou um comício em defesa da bem-amada:
— Rapaz! Gosta de mim, entende? De mais a mais, escuta: o marido é uma fera! O marido é uma besta!
Ao lado, o Meireles, impressionado, rosna:
— Você dá sorte com mulher! Como você nunca vi! — E repetia, ralado de inveja: — Você tem uma estrela miserável!
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O amor imortal
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Há três ou quatro semanas que o Menezes falava num novo amor imortal. Contava, para os companheiros embasbacados: — "Mulher de um pediatra, mas olha: — um colosso! ". Queriam saber: — "Topa ou não topa?". Esfregava as mãos, radiante:
— Estou dando em cima, salivando. Está indo.
Todas as manhãs, quando o Menezes pisava no escritório, os companheiros o recebiam com a pergunta: — "E a cara?". Tirando o paletó, feliz da vida, respondia:
— Está quase. Ontem, falamos no telefone quatro horas! Os colegas pasmavam para esse desperdício: - "Isso não é mais cantada, é ...E o vento levou". Meireles sustentava o princípio que nem a Ava Gardner, nem a Cleópatra justificam quatro horas de telefone. Menezes protestava:
— Essa vale! Vale, sim senhor! Perfeitamente, vale! E, além disso, nunca fez isso! É de uma fidelidade mórbida! Compreendeu? Doentia!
E ele, que tinha filhos naturais em vários bairros do Rio de Janeiro, abandonara todos os outros casos e dava plena e total exclusividade à esposa do pediatra. Abria o coração no escritório:
— Sempre tive a tara da mulher séria! Só acho graça em mulher séria!
Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula. Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: — "Custou, puxa vida! Nunca uma mulher me resistiu tanto!". E, súbito, o Menezes bate na testa:
— É mesmo! Está faltando um detalhe! O apartamento! Agarra o Meireles pelo braço: — "Tu emprestas o teu?". O outro tem um repelão pânico:
— Você é besta, rapaz! Minha mãe mora lá! Sossega o periquito!
Mas o Menezes era teimoso. Argumenta:
— Escuta, escuta! Deixa eu falar. A moça é séria. Séria pra burro. Nunca vi tanta virtude na minha vida. E eu não posso levar para uma baiúca. Tem que ser,olha: — apartamento residencial e familiar. É um favor de mãe pra filho caçula.
O outro reagia: — "E minha mãe? Mora lá, rapaz!". Durante umas duas horas, pediu por tudo:
— Só essa vez. Faz o seguinte: — manda a tua mãe dar uma volta. Eu passo lá duas horas no máximo!
Tanto insistiu que, finalmente, o amigo bufa:
— Vá lá! Mas escuta: — pela primeira e última vez! Aperta a mão do companheiro:
— És uma mãe!
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Decisão
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Pouco depois, Menezes ligava para o ser amado: — Arranjei um apartamento genial.
Do outro lado, aflita, ela queria saber tudinho: "Mas é como, hein?". Febril de desejo, deu todas as explicações: — "Um edifício residencial, na rua Voluntários. Inclusive, mora lá a mãe de um amigo. Do apartamento, ouve-se a algazarra das crianças". Ela, que se chamava Ieda, suspira:
— Tenho medo! Tenho medo!
Ficou tudo combinado para o dia seguinte, às quatro da tarde. No escritório, perguntaram:
— E o pediatra?
Menezes chegou a tomar um susto. De tanto desejar a mulher, esquecera completamente o marido. E havia qualquer coisa de pungente, de tocante, na especialidade do traído, do enganado. Fosse médico de nariz e garganta, ou simplesmente de clínica geral, ou tisiólogo, vá lá. Mas pediatra! O próprio Menezes pensava: — "Enquanto o desgraçado trata de criancinhas, é passado pra trás!". E, por um momento, ele teve remorso de fazer aquele papel com um pediatra. Na manhã seguinte, com a conivência de todo o escritório, não foi ao trabalho. Os colegas fizeram apenas uma exigência: — que ele contasse tudo, todas as reações da moça. Ele queria se concentrar para a tarde de amor. Tomou, como diria mais tarde, textualmente, "um banho de Cleópatra". A mãe, que era uma santa, emprestou-lhe o perfume. Cerca do meio-dia, já pronto e de branco, cheiroso como um bebê, liga para o Meireles:
— Como é? Combinaste tudo com a velha?
— Combinei. Mamãe vai passar a tarde em Realengo. Menezes trata de almoçar. "Preciso me alimentar bem", era o que pensava. Comeu e reforçou o almoço com uma gemada. Antes de sair de casa, ligou para Ieda:
— Meu amor, escuta. Vou pra lá. E ela:
— Já?
Explica:
— Tenho que chegar primeiro. E olha: vou deixar a porta apenas encostada. Você chega e empurra. Não precisa bater. Basta empurrar.
Geme: — "Estou nervosíssima!".
E ele, com o coração aos pinotes:
— Um beijo bem molhado nesta boquinha.
— Pra ti também.
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Espanto
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Às três e meia, ele estava no apartamento, fumando um cigarro atrás do outro. Às quatro, estava junto à porta, esperando. Ieda só apareceu às quatro e meia. Ela põe a bolsa em cima da mesa e vai explicando:
— Demorei porque meu marido se atrasou.
Menezes não entende: — "Teu marido?", e ela:
— Ele veio me trazer e se atrasou. Meu filho, vamos que eu não posso ficar mais de meia hora. Meu marido está lá embaixo, esperando.
Assombrado, puxa a pequena: — "Escuta aqui. Teu marido? Que negócio é esse? Está lá embaixo! Diz pra mim: — teu marido sabe?". Ela começou:
— Desabotoa aqui nas costas. Meu marido sabe, sim. Desabotoa. Sabe, claro.
Desatinado, apertava a cabeça entre as mãos: — "Não é possível! Não pode ser! Ou é piada tua?". Já impaciente, Ieda teve de levá-lo até a janela. Ele olha e vê, embaixo, obeso e careca, o pediatra. Desesperado, Menezes gagueja: — "Quer dizer que...". E, continua: "Olha aqui. Acho melhor a gente desistir. Melhor, entende? Não convém. Assim não quero".
Então, aquela moça bonita, de seio farto, estende a mão:
— Dois mil cruzeiros. É quanto cobra o meu marido. Meu marido é quem trata dos preços. Dois mil cruzeiros.
Menezes desatou a chorar.
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Extraído do livro "A vida como ela é...", Companhia das Letras- São Paulo, 1992.
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[A viuvinha.]

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[Mensagem do Dia.]

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Conheça o artista em:
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[Nina Simone]

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Imagem da Noite.
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